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A MORTE DA ADVOCACIA OU NOVO HORIZONTE?
05/07/2017
 
Na medida em que há crescimento desordenado, há caos.
Pela teoria do caos, necessário extrairmos do ruído, sinal ejetor, qual é o problema.
Abstraindo o problema, avaliando suas características e propriedades, conseguiremos melhor identificação das raízes da celeuma, um panorama com maior lastro de sucesso pode ser alcançado, tomando estas cautelas iniciais.
Pois bem, estou constatando um distanciamento do manto sagrado do advogado, da advocacia e sua função.
Observo uma mutação, diuturnamente está ocorrendo em nossa sociedade, a qual, a seu tempo e seu passo, demonstra higienização de boa parte das condutas sociais.
Estão sendo reveladas desastrosas e pútridas ações engendradas por pessoas absolutamente alheias ao bom transito e objetivos solenemente confiados à nossa existência.
Neste jaez, que estou a identificar nossos sacrilégios como Advogados. Qual é a nossa missão? Que nos foi imposto pela providencia Divina? Porque somos Advogados?
A resposta pode nos custar muito caro se não compreendermos e admitamos que nossa função é muito maior do que simplesmente lançarmos notas em um documento, endereçarmos ao sentenciante e aguardamos a confecção da ata resolutiva do conflito.
Vejam que existem maiúsculas questões para se refletir, debater, um processo dialético, para podermos sintetizar o ruído social e enveredar musicalidade do resultado.
Qual a necessidade do advogado para sociedade? Qual o sentido de existir do advogado?
Ao tentar responder estas questões, veio-me um dispositivo na Constituição da República Federativa do Brasil, uma potencial resposta, absolutamente maravilhosa.
Evidente que posso sofrer pesadas críticas por ser uma visão positivista, mas é crível este enunciado previsto na mais elevada norma legal, receber os aplausos pela redação e confiança da resposta estar próxima ao preciso por todos que se atreverem refletir.
Neste giro, o contido no art. 133 traça belo horizonte àquelas perguntas: O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.
O advogado é indispensável a quê? Administração da Justiça. Justiça?
Que é justiça? Este é o ruído! A reflexão proposta!
A justiça é um conceito de elevada abstração e carregado de sentidos e mensagens axiológicas.
Segundo Aristóteles, o termo justiça denota, ao mesmo tempo, legalidade e igualdade. Assim, justo é tanto aquele que cumpre a lei (justiça em sentido estrito) quanto aquele que realiza a igualdade (justiça em sentido universal) .
O advogado, portanto, possui gerência e responsabilidade sobre a prestação da justiça (estrita e social), somos maestros ou timoneiros, e devemos confiar conforto a quem necessite dos nossos cuidados, somos uma espécie de médicos da alma.
A linha ruidosa que se apresenta e desfraldará índices negativos a curto prazo consiste na desastrosa tendência da judicialização das relações sociais, independente o resultado prático a ser alcançado.
Este é o desastre, pois estamos semeando e a colheita será obrigatória.
É intrigante que estamos confiando os desideratos de nossos clientes, nossos pacientes, para um crivo, uma análise, dentre um oceano de processos.
Humanamente é impossível um juiz, por mais esmerado e justo, julgar detidamente milhares de ações judiciais, com particularidades, singularidades, teses, contrateses, objetos, relações interpessoais subjetivas e elementos variados que, via de regra, estão alheios às cártulas processuais.
Parece-me justo que possamos reconhecer o ruído, sejam pelas reclamações sobre o funcionamento do SAJ, pela morosidade processual, pela injustiça das decisões, ou qualquer outro elemento que foge da nossa alçada.
Particularmente estou ao lado de se buscar, cada dia mais, o ajuste, para resolvermos os problemas!
Sim, a negociação.
A advocacia passa por mudanças, quem não perceber isso, maiúscula dificuldade terá para se manter atuando, inclusive, a bancarrota financeira poderá ser um relevante fator.
O advogado, para cumprir com o desiderato magno de protagonista da proposta de se realizar justiça, necessita – vitalmente – negociar, compor, ajustar, reduzir as pretensões, ajustar o itinerário, realinhar e replanejar o roteiro, para ser novamente ser visto como o senhorio prospector da pacificação social.
Podem traçar denúncias sobre esta exposição, mas o tempo confeccionará a resposta, e esta será de forma atroz.
Enfim, delimitado o ruído, solarmente lúcido concluir que o Poder Judiciário não distribuirá justiça, mas decisões.
Sendo assim, é imposto e nosso ofício consiste administrar à justiça, tornando-se irrefutável observar ferramentas alternativas a resolução dos conflitos.
Precisamos aceitar e fruir dos bons ventos desta faceta, vez que a um só tempo pavimentará nova estigma para classe, sucesso financeiro e a perfeita consecução do nosso ofício.
É abissal, uma sentença de morte ou suicido coletivo ficar no marasmo, na zona de conforto, nós precisamos alinhar o roteiro, pena esta atrofia edificar – sem volta - o colapso da advocacia, Justiça, por fim, da sociedade!
Em arremate: A marca de sua ignorância é a profundidade da sua crença na injustiça e na tragédia. O que a lagarta chama de fim de mundo, o mestre chama de borboleta. - Richard Bach
Autor: Raphael dos Santos Bigaton - Presidente
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